ESG para líderes

Esta é a 5ª edição da nossa newsletter mensal sobre temas da agenda ESG.

Os entrevistados desse mês são: Jennifer Shulman, líder global do ESG Advisory Hub; Fernando Faria, colíder global da KPMG IMPACT; e Laura Frigenti, líder global do IDAS Institute da KPMG.

No primeiro episódio da série de podcasts “ESG Voices”, eles falaram sobre os principais desafios para a implementação da agenda ESG e as oportunidades que ela traz para os negócios.

Confira as reflexões deles no nosso blog “ESG para líderes”!

Nesta publicação, você também vai encontrar o nosso quiz sobre temas que sua empresa deve estar discutindo, exemplos inspiradores de como a agenda ESG está sendo implementada, nossas publicações, cursos e tendências de mercado.

Aproveite! E nos diga quais temas você gostaria de ver nas próximas edições.

Quiz ESG

Recentemente divulgado, o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU indica que as emissões nocivas de carbono entre 2010 e 2019 foram as mais altas na história da humanidade, com crescimentos registrados  em todos os principais setores do mundo.

No entanto, para os cientistas, ainda é possível reduzir pela metade as emissões até 2030 e evitar os piores cenários, se forem adotadas, de forma imediata, uma série de medidas e políticas que podem levar a um mundo mais justo e sustentável.

Nesta perspectiva, durante a COP26, o Brasil se comprometeu a reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa até 2030 e a neutralizá-las até 2050. Neste mesmo evento, discussões sobre práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) voltadas para o setor privado também foram notícia.

Contudo, a realidade dos debates ESG ainda parece estar distante do dia a dia das empresas brasileiras. Uma pesquisa mostrou que apenas 62% das grandes empresas que atuam no Brasil dizem sofrer pressão do mercado por práticas ESG, enquanto 22% afirmam não se sentir pressionadas.

Nossa pergunta:

Sua empresa tem planos para reduzir pela metade os gases de efeito estufa até 2030?

ESG na prática


No Brasil


Com a motivação de levar água potável para quem não tem acesso, a pesquisadora brasileira, Bárbara Gosziniak Paiva, desenvolveu uma garrafa que purifica água por meio da radiação de luz azul, capaz de eliminar bactérias, protozoários e outros patógenos que fazem mal à saúde humana. Um diferencial do projeto é que todo o sistema responsável pelo funcionamento da garrafa é movido a energia solar, sem dependência de fontes de energia elétrica. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento, quase 35 milhões de pessoas no Brasil não têm acesso à água tratada. O projeto está em fase de teste e em busca de investimentos. Caso conquiste o aporte necessário, a iniciativa ajudará milhões de pessoas e reforçará ainda mais o potencial da ciência brasileira.

O Brasil subiu de posição em um ranking global de produção de energia eólica! Com um histórico de crescimento constante por 10 anos, o País chegou a uma posição inédita no Ranking Global de Energia Eólica. O relatório apontou que o Brasil tem a 6ª maior capacidade total instalada de energia gerada pelo vento, ficando atrás somente de potências como China, Estados Unidos e Alemanha. De acordo com o documento, apesar de ser uma evolução positiva, o crescimento desta capacidade precisa quadruplicar até 2030 para poder permanecer dentro da meta de aumentar, no máximo, até 1,5ºC a temperatura global, e zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050.

Por falar em ranking, a utilização de novos parâmetros e métricas elevaram o Brasil à 5ª posição no ranking dos países com o maior número de edificações ambientalmente certificadas. Elementos como paisagismo sustentável, com uso das espécies nativas que garantem a diminuição de manutenção, irrigação e uso de fertilizantes, utilização de energias renováveis, com foco em menor impacto ambiental e maior desempenho econômico foram essenciais para que o País ganhasse certificações de “green building”. A certificação faz parte de uma iniciativa brasileira que incentiva a sustentabilidade.

Por meio de um projeto com iniciativas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade, povos indígenas contribuíram para a conservação de um estoque de carbono equivalente a 114 milhões de árvores, apenas em 2021, de acordo com o relatório de quantificação de carbono das atividades do projeto Raízes do Purus. O relatório estima, ainda, que durante os quatro anos em que o projeto será executado, entre 2021 e 2024, sejam removidos da atmosfera mais de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente, contribuindo de forma direta e indireta na conservação de mais de 2,3 milhões de hectares de floresta amazônica.

Ainda sobre florestas, uma parceria entre o estado do Rio de Janeiro e empresas privadas resultou em um investimento para o restauro ecológico de diversos biomas brasileiros. O projeto Floresta Viva, fruto da iniciativa conjunta, tem como objetivo o reflorestamento, através da recuperação de espécies nativas, mananciais e da biodiversidade, beneficiando unidades de conservação, pequenas propriedades rurais e áreas urbanas de encostas. A iniciativa espera alcançar entre 16 mil e 33 mil hectares de área restaurada, com a remoção de aproximadamente 9 milhões de toneladas de carbono da atmosfera, considerando um ciclo de 25 anos de crescimento da floresta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fundou o Grupo de Especialistas sobre os compromissos de emissões líquidas zero de entidades não-estatais. Entre os 16 integrantes de diversas regiões do mundo, está o ex-ministro brasileiro, Joaquim Levy. Na COP26, o secretário-geral sinalizou uma necessidade clara de instituir padrões e critérios mais confiáveis ​​e robustos para medir, analisar e reportar compromissos de emissões líquidas zero por entidades não-estatais. O lançamento do novo grupo é um passo fundamental para atender a essa necessidade, em meio ao agravamento da crise climática e à crescente urgência de que todos os compromissos sejam apoiados por planos de implementação robustos e convertidos em cortes reais de emissões o mais rápido possível.

No Mundo

A China conseguiu fabricar a primeira gasolina a partir da captura de CO2 na atmosfera. Desde o início do projeto, a iniciativa já produziu mil toneladas por ano. O combustível é totalmente neutro em carbono, uma vez que é produzido pelo dióxido de carbono retirado do ar. A hidrogenação de CO2 em combustível líquido pode ajudar a lidar com o problema de dióxido de carbono excessivo na atmosfera, além de tornar o armazenamento e o transporte de energia renovável mais simples. De acordo com o coordenador da equipe, o professor Sun Jian, “essa inovação é uma nova estratégia para atingir a meta de neutralidade de gases de efeito estufa”.

REPowerEU: o novo plano da União Europeia para uma energia mais acessível! A União Europeia propôs um projeto para tornar a Europa independente dos combustíveis fósseis russos bem antes de 2030, começando pelo gás. A REPowerEU procurará diversificar o fornecimento de gás, acelerar a implantação de gases renováveis ​​e substituir o gás no aquecimento e na geração de energia. A comissão continua a trabalhar com vizinhos e parceiros nos Balcãs Ocidentais e na Comunidade da Energia, que partilham a dependência da UE em matéria de combustíveis fósseis e a exposição a aumentos de preços. A União Europeia está disposta a prestar apoio para garantir uma energia viável e sustentável o quanto antes.

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que regula as bolsas de Nova York, anunciou uma proposta que exige que todas as empresas listadas divulguem suas emissões de gases de efeito estufa e outros impactos climáticos. A regra demanda que todas as empresas norte-americanas e estrangeiras registradas na SEC (Securities and Exchange Commission) relatem suas estratégias de gestão de riscos relacionados ao clima. Assim, as empresas devem divulgar tanto emissões diretas de gases de efeito estufa quanto as indiretas, vindas de energia comprada ou qualquer outra fonte. Segundo cientistas, a iniciativa poderia ajudar a diminuir o risco de futuras crises financeiras induzidas pelo clima.

A descarbonização está no foco de todos os setores, e a indústria de manufatura também está investindo neste processo, com o intuito de fortalecer ainda mais a sua vantagem competitiva. Por isso, uma plataforma identificou as cinco principais soluções de descarbonização para empresas de manufatura. A iniciativa usa a tecnologia como aliada, avaliando insights de inovação orientados por dados para identificar, continuamente, novas startups, scaleups, soluções e tecnologias relevantes.

KPMG - Impactando a agenda ESG

Para nossa rede

Nunca houve tanto interesse por informações sobre os compromissos éticos, a governança e os impactos sociais e ambientais das empresas. Mesmo assim, os relatórios corporativos –  sejam eles de sustentabilidade, financeiros ou híbridos – ainda são percebidos pelo público em geral como documentos burocráticos e estáticos, publicações que servem apenas para o trabalho de auditores e investidores. Um engano. O estudo “O futuro do reporting” mostra que, nas últimas décadas, os relatórios corporativos vêm evoluindo para expressar não apenas os resultados financeiros, mas também o posicionamento das companhias sobre temas críticos para a sociedade e seu impacto no mundo e na gestão dos negócios.

As empresas de tecnologia geralmente são vistas como pioneiras e definidoras de tendências. No entanto, no que se refere às ações de descarbonização, muitas delas enfrentam o desafio de traduzir aspirações em ações concretas. A pesquisa anual da KPMG, “It’s time to decarbonize the technology industry”, realizada com mais de 800 líderes globais de empresas de tecnologia, mostrou que somente 16% das organizações possuem uma estratégia e metas para redução de emissões de gases do efeito estufa. Por isso, este é o momento certo para os líderes do setor e profissionais de sustentabilidade começarem a desenvolver seriamente seus planos de descarbonização.

A gestão eficiente de dados de ESG é um desafio para as empresas, que se torna ainda mais crítico quando estas informações são utilizadas pelo setor de serviços financeiros. Pensando nisso, para investigar as oportunidades e os obstáculos enfrentados por este setor, a KPMG e o Google Cloud conduziram o estudo “Closing the Disconnect in ESG Data in Financial Services”. O estudo apresenta como as instituições financeiras têm a oportunidade de gerar vantagem competitiva e entregar resultados sociais positivos. Além de uma ferramenta de gestão, o caminho para a obtenção de dados de ESG de qualidade exige um investimento significativo em novas habilidades e recursos para transformar esse volume massivo de dados em conhecimento.

As requisições de relatórios ambientais, sociais e de governança (ESG) estão se intensificando em todas as indústrias. Essa é uma das conclusões do estudo “Segurança Cibernética: Não elabore relatórios ESG sem ela”, produzido pela KPMG. Além das preocupações constantes, – como combate à corrupção, água potável e mudanças climáticas – a segurança cibernética está ocupando o topo da agenda dos debates sobre ESG. Em uma pesquisa recente, 67% dos entrevistados classificaram a cibersegurança como sua principal preocupação. Apoiar a transparência e adotar uma abordagem baseada em fatores ESG para relatórios de segurança cibernética foram os destaques desta pesquisa.

Nossas operações

A importância da qualidade de dados de aspectos ESG para evitar o greenwashing foi tema da entrevista concedida por Nelmara Arbex, sócia-líder de ESG Advisory da KPMG no Brasil e na América Latina. A publicação mostra que faz parte do papel das lideranças corporativas administrar os negócios em turbulência, até mesmo com as graves crises mundiais vigentes, e que as práticas ESG não devem ser colocadas em segundo plano, especialmente em tempos difíceis. Para a especialista, o tema será um atributo crítico de sucesso na próxima década para garantir a competitividade das empresas brasileiras.

A KPMG Brasil é uma das apoiadoras da plataforma “Revolução ESG”, um ecossistema que reúne organizações e ONGs com o objetivo de gerar impacto socioambiental em escala, por meio de ações voltadas a acelerar iniciativas ESG nas empresas. Na plataforma, a KPMG compartilha conteúdos sobre negócios, como artigos, pesquisas e insights. O estudo “Considerações de ESG para os programas de mobilidade global de pessoas e de remuneração e benefícios” é uma das diversas pesquisas realizadas pela KPMG que você vai encontrar por lá!

Fique de olho: o relatório ESG da KPMG Brasil será publicado em breve!

Para saber mais sobre nossas ações alinhadas com nossas metas ESG, acesse o portal da KPMG IMPACT!

Conhecimento em pauta

O treinamento executivo em ESG, oferecido pela KPMG, é dedicado a preparar executivos e executivas que desejam compreender mais sobre os riscos ambientais, sociais e de governança, reforçando a importância de aplicar estes princípios nas organizações. Clique aqui e saiba mais!

Tendências

- Os relatórios sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima estão se tornando o centro das organizações em meio à crescente pressão de investidores e governos. Nesse cenário, o apoio às divulgações relacionadas ao clima provavelmente continuará a crescer, especialmente com a criação de legislações sobre o tema. Em 2021, os países do G7 apoiaram a introdução de divulgações obrigatórias para grandes organizações ou determinados setores. Muitos países, incluindo Reino Unido, Japão, Nova Zelândia e Suíça, pretendem ter mandatos sobre o assunto em vigor antes de 2025.

- Após as deliberações sobre finanças e meio ambiente na recente conferência global sobre biodiversidade em Genebra, grandes organizações do setor financeiro privado mundial fortaleceram sua cooperação para acelerar ações positivas para a natureza. Este setor tem um papel crítico a desempenhar para garantir a estabilidade da economia, levando em consideração a biodiversidade nas decisões de investimento. Essa nova colaboração se concentrará na capacitação entre os participantes financeiros e fornecerá orientação em todo o setor para métricas e medições de biodiversidade em finanças. A longo prazo, a iniciativa impulsionará a convergência em todo o setor para estabelecer metas em prol da natureza.

- Uma parceria entre o Ministério do Meio do Ambiente e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) premia quem cuida da Amazônia! O projeto “Floresta+Amazônia” recompensa quem protege, recupera a floresta e contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa. Com o foco na estratégia de pagamentos por serviços ambientais, até 2026, a iniciativa reconhecerá o trabalho de pequenos produtores rurais e agricultores familiares, apoiará projetos de povos indígenas e de comunidades tradicionais, assim como ações de inovação com foco no desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal. O programa funciona por meio de quatro modalidades: Floresta e Conservação; Floresta e Recuperação; Floresta e Comunidades; Floresta e Inovação.

- O conselho da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aprovou a abertura das discussões para a admissão do Brasil à condição de membro da sexagenária instituição que congrega, atualmente, 38 economias em elevado estágio de desenvolvimento, bem como países emergentes. Para alcançar o desenvolvimento sustentável, as nações precisam criar ambientes e manter instituições capazes de gerar benefícios para a sociedade. Além disso, é necessário que as nações compreendam essa sistemática e criem cenários capazes de permitir que suas instituições internas cumpram da melhor forma possível seus objetivos, gerando benefícios para a sociedade.

- O Ministério do Meio Ambiente do Brasil viajou para a Dinamarca para vender a “agenda verde” brasileira. Depois de um primeiro contato entre Brasil e Dinamarca às margens da reunião ministerial de Meio Ambiente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o secretário de Clima e Relações Internacionais da Pasta, Marcelo Donnini Freire, viajou para o país e para a Noruega para “vender” oportunidades de negócios ligados à área verde do Brasil, com foco especial para atrair investimentos em hidrogênio verde. Na oportunidade, o secretário discursou sobre a agenda verde brasileira e como o desenvolvimento dessa agenda é uma grande oportunidade para os desafios que o mundo está enfrentando.

- Cidades esponjas: um caminho para adaptação às mudanças climáticas! Transformar  cidades em um espaço que consiga absorver e escoar água, exatamente como uma floresta, é o objetivo principal do projeto chinês. Longe de ser aplicado em uma cidade inteira, o conceito se traduz em espaços capazes de reaproveitar a água de maneira natural e utilizável. Com foco em sustentabilidade e a total conexão do planejamento urbano com a natureza, a iniciativa aumenta a biodiversidade – além de despoluir as águas das enchentes. Hoje, são quase 90 projetos realizados e mais 538 em desenvolvimento. Até 2030, 80% das áreas urbanas chinesas devem ter elementos de cidade-esponja.

Se você perdeu a edição anterior da nossa newsletter, clique aqui.

Esperamos que a leitura tenha sido inspiradora.

Aguardamos suas sugestões de pauta!

esg-faleconosco@kpmg.com.br

Nelmara Arbex

Sócia-líder de ESG Advisory da KPMG no Brasil

Sebastian Soares

Sócio-líder de Governança Corporativa da KPMG no Brasil

Moacyr Piacenti

Sócio-líder de Serviços de Asseguração da KPMG no Brasil

Luis Wolf Trzcina

Sócio-líder de ESG & Tax da KPMG no Brasil

Alan Riddell

Sócio-líder de Assessoria em Reestruturação Financeira da KPMG no Brasil

Eliete Martins

Sócia de Governança Corporativa e SOX da KPMG no Brasil

Marcio barreto

Sócio de ESG e Risk Advisory da KPMG no Brasil

Kin Honda

Sócio-diretor de ESG Advisory da KPMG no Brasil

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