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O ano de 2020 será lembrado por muitas coisas, mas o fluxo de negócios no setor bancário global não será uma delas. Embora os aspectos fundamentais do segmento tenham permanecido estáveis, o ambiente operacional – desencadeado pela desaceleração econômica global e pela pandemia de covid-19 – sofreu os impactos da crise.

Como consequência, as fusões e aquisições globais diminuíram 26% e 41% em volume e valor, respectivamente, em comparação com o resultado obtido em 2019.

Segundo dados analisados pela KPMG International, os EUA, a Índia, China, Itália e o Reino Unido continuam sendo os países mais ativos no mercado global, uma vez que os negócios bancários nacionais permanecem em alta e representam quase três quartos das fusões e aquisições totais.

Impactos da covid-19 no setor bancário

A covid-19 trouxe impactos ao mercado de fusões e aquisições, moldando grande parte do cenário bancário europeu. A baixa lucratividade continua sendo uma preocupação de todo o setor em meio às pressões de taxas negativas sobre a receita líquida de juros, progresso lento na geração de taxas e o avanço limitado nas medidas de redução de custos.

Além disso, um aumento nas provisões para perdas com empréstimos após um crescimento previsto nas operações de curso anormal (NPLs - non-performing loans) reduziu o lucro líquido. Esses desafios, no entanto, sugerem uma alta para as fusões e aquisições do setor no futuro.

No segundo semestre de 2020, a consolidação do setor bancário já havia começado, com alguns negócios importantes em andamento. Agora, a expectativa  é de que este cenário também possa atuar como um catalisador para transações domésticas, substituindo transações internacionais no curto prazo.

No entanto, este cenário por si só não será suficiente para impulsionar a atividade de negócios – outros fatores como considerações de margem, NPLs, ajustes do modelo de negócios, escopo para reduções de custos significativas e criação de valor potencial terão prioridade.

Apesar de ainda ser difícil decifrar como o mercado de fusões e aquisições poderá evoluir em 2021, há sinais de vida. Embora uma recuperação econômica global em V pareça improvável, vários temas importantes podem impulsionar os negócios no curto prazo:

  • Uma avaliação de queda criou um novo mercado de compradores, especialmente para participantes relevantes de capital privado e Private Equity.
  • Com o crescimento e concretização da inovação, os bancos estão se concentrando na aquisição de recursos digitais, como inteligência artificial e análises avançadas.
  • A geração de capital orgânico por si só continua insuficiente para restaurar a lucratividade. Dessa forma, os bancos estão procurando opções, como nova emissão de capital, venda ou fechamento de carteiras etc.
  • Os bancos globais estão cada vez mais incorporando as questões ambientais, sociais e de governança na sua estrutura de gestão de risco. A expectativa é de que eles substituam as carteiras de negócios existentes, embora essas transições possam levar tempo.
  • Os primeiros sinais de deterioração da qualidade dos ativos foram vistos em 2020. Esperamos que novas inadimplências ocorram em 2021.
  • Os reguladores em vários países e regiões estão relaxando as rígidas exigências de capital ou afrouxando as restrições para se fazer negócios, além de liberar e aumentar a participação estrangeira para fomentar o mercado.

Após a pandemia de covid-19, o setor bancário está passando por um forte momento de consolidação, especialmente na Europa. As fusões e aquisições são uma forma de os bancos enfrentarem a baixa rentabilidade persistente e reduzir custos graças às sinergias, aumentando a competitividade. Atualmente, alguns dos maiores bancos estão discutindo sobre uma potencial consolidação. Os bancos maiores e mais lucrativos também são solicitados pelos governos nacionais a resgatar os bancos mais fracos, com os reguladores atualmente incentivando os bancos a se fundirem.

Avalia o líder de Assessoria em Negócios da
área de Serviços Financeiros Globais da KPMG na Itália,
Giuseppe Latorre

Cenário de negócios bancários em 2020

O mercado de fusões e aquisições no setor bancário caiu em 2020, tanto em volume de transações quanto em valor arrecadado. Os negócios que estavam prestes a serem assinados ou executados foram encaminhados e concluídos, enquanto aqueles que estavam em fase inicial foram adiados. Durante esse período, observou-se um aumento nas transações não domésticas. Já no âmbito regional, a atividade de negócios da região Ásia-Pacífico permaneceu relativamente dinâmica. 

Global Banking Deals, illustration

10 principais negócios bancários em 2020

Em 2020, foram registrados 1.391 negócios fechados. Entre as dez principais operações com base no valor do negócio, as transações nacionais continuaram predominando, enquanto apenas uma operação internacional ganhou destaque.

O principal negócio fechado foi no valor de US$ 15,6 bilhões, entre duas empresas estabelecidas na Arábia Saudita. O segundo lugar no ranking ficou com a transação nacional de US$ 11,6 bilhões, que ocorreu nos Estados Unidos.

A pesquisa realizada pela KPMG também mostrou que o setor bancário apresentou resultados otimistas, com 58% dos principais mercados esperando um aumento no volume de transações, enquanto 42% deles acreditam que os negócios se manterão estáveis em comparação com o ano de 2020.

Para 2021, espera-se uma ampla dispersão na recuperação econômica entre os países, à medida em que avançamos do primeiro para o segundo trimestre, apoiada por um suporte monetário e fiscal contínuo e no lançamento de vacinas.

Nesta seção, oferecemos perspectivas de como diferentes países estão estimando o desempenho do mercado de transações bancárias nos próximos meses, com uma visão específica sobre a participação de Private Equity. 

Serviços financeiros no Brasil

No Brasil, o setor de serviços financeiros demonstrou resiliência durante a pandemia de covid-19, com as fintechs e os bancos digitais impulsionando as fusões e aquisições em 2019 e 2020.

O open banking, as soluções de pagamentos e de gerenciamento de caixa têm sido os principais impulsionadores do segmento.

A expectativa para 2021 é de que os negócios aumentem com a recuperação dos mercados de capitais e do fluxo de investimentos nas fintechs. A gestão de ativos também será uma oportunidade de investimento com o retorno de players internacionais ao mercado.

Além disso, empresas de Private Equity devem continuar ativas nas fintechs, soluções digitais e soluções de pagamentos.