Revisitar a mobilidade

Revisitar a mobilidade

Por André Coutinho, sócio-líder de Advisory da KPMG no Brasil e na América do Sul

André Coutinho

Sócio-líder de Advisory no Brasil e América do Sul

KPMG no Brasil

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Revisitar a mobilidade

Em função da pandemia, a discussão sobre mobilidade ganhou uma nova dimensão em todo o mundo. Revisitar a mobilidade está cada vez mais associado ao deslocamento de pessoas e bens com segurança e eficiência. Há no mercado também mudanças significativas nas expectativas dos clientes, as quais estão afetando diretamente as empresas de mobilidade. O momento é de reavaliação dos métodos de mobilidade disponíveis para uma reconfiguração dos sistemas. Na prática, revistar a mobilidade significa que as organizações relacionadas com o tema precisam entender e executar modelos a partir de alguns subtemas: localização; limpeza absoluta; entrega multimodal; onda autônoma; e mobilidade pessoal como serviço.

 

A localização diz respeito a reconsiderar gastos com presença física, principalmente em áreas de alto custo, conforme a conectividade digital reequilibra a relevância da localização. Ser limpo implica em implementar e comunicar procedimentos rigorosos de limpeza e distanciamento com o objetivo de recuperar confiança e demanda dos clientes. Entrega multimodal está relacionada com soluções emergentes de mobilidade, como drones e veículos autônomos. Outro subtema é o da onda autônoma, que demanda investimentos em inovações e tem relação com o transporte autônomo e como ele afetará estruturas operacionais e cadeias de suprimentos. Finalmente, por mobilidade pessoal como serviço, entende-se o desenvolvimento de produtos e serviços que forneçam infraestrutura para a mobilidade pessoal em grande escala, com ênfase em aspectos de saúde.

 

Nesse sentido, há perguntas que as empresas precisam fazer para embasar melhor cada tomada de decisão. Sobre os aspectos de segurança e limpeza, é necessário saber que novas medidas estão sendo tomadas para garantir de saúde e segurança dos clientes. Em relação aos investimentos na nova mobilidade, a importância está nos recursos destinados às iniciativas de mobilidade no longo prazo, como veículos autônomos, mapeamento e navegação. Há ainda o transporte dos funcionários, ou seja, providências direcionadas para a segurança da força de trabalho durante os deslocamentos.

 

Em um mundo cada vez mais globalizado e complexo, sofrendo ainda com a pandemia, mas com as empresas resilientes impondo, na medida do possível, suas agendas de negócios, a duração e a gravidade deste cenário continuam impactando empresas e consumidores. No entanto, sobre o aspecto de mobilidade, a demanda por entregas autônomas está sendo acelerada e os consumidores estão migrando para a mobilidade personalizada multicanal sob demanda. O fato é que, independentemente dos cenários, as tecnologias de mobilidade vão proliferar e, à medida que a crise diminuir e a economia melhorar, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia autônoma continuarão como um dos legados mais relevantes da pandemia.

 

*André Coutinho é sócio-líder de Advisory da KPMG no Brasil e na América do Sul.

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