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Reestruturação da dívida é um processo mais comum do que se imagina no universo empresarial. Por isso, é importante saber bem o que significa e quais são as oportunidades quando se recorre a esse processo. Neste artigo, apresentamos os passos essenciais para os gestores que necessitem renegociar os termos do endividamento de suas organizações.

Reestruturação de dívida é um termo recorrente em organizações de diferentes tamanhos e setores. Em alguns casos,[1] [2] [3]  a repactuação do endividamento é essencial para manter o fluxo de caixa equilibrado, em linha com a realidade e requerimentos (ou exigências) da empresa e do mercado. Ou seja, garantir que os compromissos da organização estejam alinhados com a disponibilidade de caixa dentro da organização.

Só assim será possível corrigir problemas, recalcular a rota e seguir em frente da maneira mais adequada. Mas como notar que algo está errado em tempo de corrigir o problema? Com planejamento financeiro. Uma empresa deve ter aspectos importantes bem definidos, como estratégia, meta de vendas, plano de produção, expectativa de geração de caixa, lucro, necessidade de capital e por aí vai. O plano deve envolver todas as áreas da organização. Com tal plano estruturado, é possível fazer um acompanhamento mais próximo e detectar desvios que podem ser corrigidos antes que um problema maior afete a companhia.

Geralmente, tal questão está relacionada a um endividamento com perfil não compatível com a realidade da empresa e consequentemente à falta de dinheiro para cumprir os compromissos financeiros da organização. E é exatamente aí que entra a necessidade de uma reestruturação financeira. Trata-se de um processo que busca traçar e executar um plano de equacionamento das dívidas com base na situação atual da companhia. Quanto antes este processo acontece, maiores são as chances de evitar possíveis rupturas e corrigi-las para garantir que a empresa continue com um fluxo de caixa positivo.

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Sintomas de que é preciso recorrer à reestruturação

O planejamento financeiro, como comentamos, é uma forma de evitar problemas que podem afetar a saúde financeira da empresa. Por isso, é essencial o contínuo acompanhamento dos fluxos de caixa e atentar-se a sintomas que potencialmente indicam a necessidade de reestruturação, tais como:

  • Declínio de vendas;
  • Perda de clientes relevantes
  • Aumento de custo dos produtos;
  • Dificuldades de arcar com compromissos de curto prazo;
  • Dívidas vencidas com fisco, fornecedores ou bancos;
  • Mercado em crise;
  • Linhas de crédito perdidas ou negadas.

Identificar todos esses sintomas antecipadamente é essencial para o sucesso de um plano de reestruturação. Uma consultoria especializada, por exemplo, irá investigar todos esses aspectos, em conjunto com o CFO ou diretor financeiro, para identificar as razões que originaram os problemas e verificar em que nível a situação está.

Nesse sentido, de acordo com os sintomas, duas das principais maneiras mais usadas pelo time de reestruturação é reduzir a necessidade de capital de giro e alongar o prazo de pagamento da dívida.

Capital de giro e seu papel na reestruturação

O capital de giro é formado por três principais elementos:

  • O que a empresa precisa pagar: fornecedores, despesas e custos em geral;
  • O que a empresa tem para receber: principalmente formado por aquilo que foi vendido aos clientes;
  • Estoque: o que a empresa tem de matéria-prima, produtos em processo e produtos acabados em estoque.

Dentro de uma estrutura financeira, o capital de giro é o dinheiro que, de alguma forma, está investido dentro da empresa. Cabe ao departamento financeiro e às demais áreas envolvidas saber fazer uma boa gestão de estoque e negociar os prazos de pagamento e recebimento para garantir níveis sustentáveis e saudáveis de capital alocado no negócio. Ações de capital de giro devem ser feitas para liberar dinheiro para a empresa conseguir maior liquidez e pagar as contas.

Tal gestão é importante tanto para a empresa que está bem quanto para aquela que enfrenta problemas financeiros. Um exemplo prático: quanto mais prazo é negociado com um fornecedor, mais crédito a organização tem para sustentar o capital de giro. Em relação ao cliente, quando o prazo dado a ele é maior, cresce também a necessidade de financiamento. Por isso, é fundamental maximizar o crédito dado por terceiros e, em contrapartida, minimizar o crédito que a empresa concede para seus clientes. Parece simples, mas existem diversos gargalos e ineficiências dentro das organizações que tornam esta gestão complexa.

É essencial estabelecer uma dinâmica na organização para que ela ganhe eficiência, minimizando o custo financeiro e o capital de terceiros.

Como a reestruturação de dívida contribui na prática

É essencial, em qualquer situação, ter um planejamento estratégico e financeiro antes de tudo. Isso porque o objetivo inicial da reestruturação é otimizar aquilo que a empresa já possui. É fundamental ter em mente que os problemas não serão resolvidos apenas com a ajuda de terceiros, como liberação de crédito, alongamento de dívida ou venda de ativos. A empresa deve ser organizada o suficiente para estimular que terceiros continuem acreditando no negócio.

Nesse sentido, é essencial contar com o apoio de especialistas para a criação do plano de reestruturação ou Turnaround. Tal estratégia não deve estar baseada apenas no alongamento da dívida. É necessário atuar também em pontos críticos, como redução de custos, melhoria de performance, precificação e aumento de margens, eficiência de capital de giro entre outros aspectos. Com toda essa estratégia traçada, a empresa consegue mostrar para o mercado que está fazendo a parte dela. Assim, fica muito mais fácil alcançar seus objetivos, como alongamento da dívida e captação de novos recursos.

Para que isso aconteça, no entanto, é importante demonstrar as ações já executadas e implementadas, mostrando que a empresa está fazendo o que cabe a ela fazer, e também o plano de reestruturação do negócio com as ações planejadas e a necessidade de participação de terceiros para que isto aconteça. É importante ter e deixar claro que a estratégia é robusta e que há pessoas qualificadas trabalhando na sua implementação. Também é essencial apresentar os prazos para a efetivação das melhorias propostas.

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duas pessoas conversando em um hall

Estratégia em conjunto

O fluxo de caixa é resultado de tudo o que a empresa faz. Daí surge a necessidade de que o planejamento financeiro envolva todas as áreas da empresa. O CFO ou Diretor Financeiro normalmente tem acesso às informações, mas não pode planejar ou tampouco tomar decisões sozinho. Isso porque uma área afeta a outra — o efeito é interligado. Por isso, para a construção do planejamento financeiro, todos os setores da empresa devem estar presentes.

Dessa forma, as decisões ficam mais acertadas e uma possível crise de liquidez é contida. Envolver todas as partes no dia a dia é essencial. O planejamento e as reuniões com todas as equipes é fundamental durante um processo de reestruturação. 

Ter apoio é essencial

Também é aconselhado que a organização procure ajuda externa — e não é preciso esperar os sintomas de deterioração aparecer. Ao olhar para o planejamento, desde que o mesmo seja bem feito, é possível prever mudanças e se antecipar na correção de rota. E, nesse contexto, ter visão e auxílio externo faz diferença.

Na primeira conversa, a equipe de consultores costuma fazer algumas perguntas básicas, como "expectativa de geração de caixa no curto, médio e longo prazos", "fluxo de caixa da operação" e "montante de dívida a ser paga". Essas respostas precisam ser claras; se não estão disponíveis, o primeiro trabalho a ser feito é exatamente levantar essas informações. Aliás, mesmo se tudo estiver dentro do esperado, mas a empresa não está em linha com a realidade do mercado, também é um sinal de que é necessário pensar em uma reestruturação.

Recapitulando: é essencial ter em mente que um plano de reestruturação de dívida passa por três etapas centrais:

Ponto de partida: desenvolver um planejamento estratégico e financeiro. É essencial para ter um controle das ações, verificar se a empresa está tomando as decisões corretas e também prever possíveis problemas. Assim, os danos são muito menores.

  • Primeiro passo: diagnosticar de forma independente a situação atual e traçar as perspectivas futuras.
  • Segundo passo: usar esses insumos para construir um plano de reestruturação da operação da empresa e de sua dívida.
  • Terceiro passo: executar o plano.
  • Quarto passo: acompanhar a execução desse plano e ajustar a rota conforme necessário.

 

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